18 de ago. de 2007

Amiga Magia

Começando com besteiras, mas notem que "M A G I A" é um anagrama de "A M I G A".
Existe conservação de energia no universo de D&D? Talvez sim. "Mas como? O cara lança uma bola de fogo das mãos vazias! Com certeza não existe conservação de energia! Isso é óbvio!"
Será que estar de mãos vazias é não seguir a conservação de energia? Qual a definição de energia? Chega a ser ridículo, mas não existe. Toda a física usa como principal pilar de sustentação algo que não sabe nem conceituar. Peguem no dicionário a definição de "energia". Vai estar escrito lá algo mais ou menos assim: "Energia é a capacidade de realizar trabalho". Agora pegue a definição de "trabalho": "É o resultado da utilização de uma energia". Praticamente um sofisma (explicar/burlar uma prerrogativa verdadeira através de uma ou mais prerrogativas falsas). Mas vamos lá, vamos aceitar a conservação disso que chamam energia. Se não houvesse conservação de energia um mago poderia soltar uma quantidade ilimitada de magias. Se ele não preparar suas magias não vai conseguir soltar nem um peido mágico. Isso é quase uma conservação de energia, só temos que considerar o fator tempo de uma maneira menos convencional. Quanto maior a magia, maior o esforço para prepará-la. Usando esta lógica, é possivel trocar um componente material por outro, basta desenvolver uma nova magia, com novos componentes (é uma magia totalmente nova, mas que possui o mesmo resultado da magia que foi copiada). Quando a magia necessita de componentes materiais, necessita daquele tanto de energia (que está na forma de matéria). Para levantar um rato precisaria de uma receita de magia que utiliza 5 gramas de manteiga, mas para levantar um elefante precisaria de uma receita parecida, só que utiliza 5000 gramas (ou 5 Kg). Para simplificar o aprendizado os magos acabam utilizando sempre a receita de 5000 gramas para levantar tanto o elefante quanto o rato. Para componentes materiais que possuem um certo valor em P.O., podemos considerar que é a única receita que conhecem até o momento. Para magias que utilizam XP, é usada uma certa quantidade de matéria do próprio conjurador, que é quantificada como pontos de experiência (eu sei que tanto o xp como os P.O. são regras para limitar a utilização de magias poderosas, mas acho que são regras necessárias mas que encaixam nos argumentos levantados). Cada tipo de magia possui uma receita básica fixa, o que possibilita o funcionamento da perícia "Identificar Magia".
Resumindo, para os magos, a magia funciona gastando certa quantidade energia guardada. Você faz um esforço, ou então transforma um pedaço de matéria em energia pura e deixa essa energia guardada em uma espécie de gaiola invisível. Quando achar mais apropriado pode destrancar sua gaiola, utilizando uma seqüência de movimentos-chave.
Reescrevendo para tentar simplificar:
Na realidade de D&D existe um sistema de crédito de trabalho. Qualquer um pode deixar uma certa quantidade de energia armazenada para realizar um trabalho qualquer no momento que achar mais apropriado. Para fazer isso só precisa conhecer uma série de códigos que servem de chave para o sistema de crédito. É quase um visa electron (ou o maestro da mastercard). Só pode usar se tiver dinheiro na conta e se tiver a senha de acesso. A diferença é que no visa electron você trabalha, converte esse trabalho em dinheiro, guarda esse dinheiro (que na verdade é um trabalho transformado em matéria), e usa quando achar melhor. Em D&D eles transformam o trabalho em "magia preparada". Pronto, mago está explicado. Mas aonde estão as magias divinas e as magias arcanas dos feiticeiros? Vamos por partes.
Magias de Feiticeiros: Talvez eles tenham ganhado de herança uma linha de crédito de seus antepassados. Eles usam magias que foram preparadas mas não utilizadas por seus ascendentes. Ou talvez roubem as magias das linhas de crédito de outros conjuradores. São ladrões de magias. Ou ainda, poderiam usar preparações mal suscedidas de outros magos para criar linhas de créditos próprias, ou então possuem chaves muito mais simples para criar linhas de crédito. Praticamente todas as formas de uso de magia por feiticeiros são dependentes de erros do sistema de crédito.
Magias Divinas: As divindades são grandes bancos de investimento. Eles fornecem linhas de crédito de magia para seus seguidores. Sendo assim, os conjuradores divinos estão sempre dependentes do crivo das suas divindades para gastar magias. Enquanto eles receberem suas rezas (algo básico na vida de um deus de D&D) ele fornecerá um financiamento para seu cliente. Eles ficam preparando magias e as emprestam para seus seguidores, que pagam como juros uma certa quantidade de fé (que normalmente está convertida em rezas, mas também pode ser convertida em missões sagradas, atrair novos fiéis ou qualquer tipo de incentivo vindo do deus).

Comentem sobre isso, se concordam ou não, assim como os porquês.

Abraços,
Mussa

6 comentários:

Anônimo disse...

o que o autor quer dizer na verdade é:

1- Mago funciona como um celular pré pago. Você põe crédito e ele pode ativar os serviços.

2- Feiticeiro funciona como um hacker. Ele descobre como fazer para usar a magia dos outros sem precisar pagar os créditos.

3- clérigo é como uma criança que tem que pedir mesada aos pais. Quando a criança se comporta da maneira que os pais acham "correto", ela ganha mesada. ou "créditos".

4- Estou achando estranha essa nova faceta Mussa de discursar.

Anônimo disse...

Achei uma bela analogia, porém tenho algumas dúvidas:
1- A energia é armazenada em difernentes lugares ? Pois, se ela for armazenada em um único local para que várias senhas de acesso ? Será que cada senha já disponibiliza a quantidade certa de energia para sua respectiva magia ?
2- Algumas magias requerem ítens específicos ( ou não ??? ), ex: asa de morcego, porra de dragão , etc.....para que destes seja retirada uma quantidade de energia e tal. Pergunto, se a parada é a energia ,para que existem especifidades, ou seja, p/ que o mago precisa da porra do dragão para fazer determinada magia e asa de morcego p/ outra??? Será que é o mesmo caso dito anteriormente, a questão da dose certa de energia p/ determinada magia ??? Ex: Precisa de porra de dragão pq sabe-se que este ingrediente contém a dose certa de energia p/ determinada magia ???
3- Mussa vc está fazendo uso de substâncias entorpecentes ? Brincadeira.....Muito massa este tipo de discussão...Amiga Magia, foi um texto bastante didático.

Anônimo disse...

eu não usaria uma magia que precisasse de porra de dragão... isso foi meio xabi... hehehe...

O que a esgrima medieval não faz com o ser humano.
Cada um é cada um.

mestre disse...

Kkkkkkkk! Suas analogias ficaram muito boas, é isso aí mesmo.
Conceito de lugar está diretamente relacionado com o conceito de dimensão. Imagine o seguinte: você está assistindo domingão do faustão, eles estão filmando aquela dançarina gostosa e então aquele gordo chato do Fausto Silva entra na frente. Como a tv só passa duas dimensões, para o seu ponto de vista (que só pode ver em 2d) os dois estão ocupando o mesmo local no espaço. Sendo assim, é tudo uma questão de perspectiva. Toda a energia pode ficar armazenada em um mesmo "local" (digamos que é a 5ª dimensão) para quem está fora deste local, tudo está junto, mas para quem está lá dentro é tudo separado. Ou então poderia ser igual ao cartão de débito mesmo, tudo está misturado, sendo um só, mas a chave que cada um usa te mostra todas as informações necessárias para tirar apenas a energia que você guardou.
Imagine o seguinte (exemplo para tentar explicar, não precisa ser exatamente isso, mas acho que vai ficar mais claro): você quer deixar preparada uma bola de fogo, mas está faltando a porra de dragão (algo essencial para todas as magias da escola da "Esgrima Medieval do Mascarado Chinês Cor de Rosa"). Isso realmente é um problema, porque:
1 - Apenas a porra do dragão reagiria com a unha postiça que também vai na magia;
2 - Não é apenas a quantidade de matéria que importa, mas o tipo energia que vai sair de lá (a quebra de 1 kg de moléculas de água gera uma energia diferente da gerada pela quebra de 1 kg de urânio enriquecido), isso sem contar que para quebrar cada tipo de matéria é necessária um procedimento totalmente diferente;
3 - Toda a sequência de atos precisa ser respeitada. A Vózinha tinha que seguir exatamente a receita da poção, não apenas os tipos/cores das frutas gummy que iam no suco de fruta, mas também tinha que mexer o suco duas vezes no sentido horário, três no anti-horário, e depois dar duas batidinhas no lado direito do caldeirão. Se não fizesse isso o suco não funcionaria corretamente, e, salvo engano, até explodiria. Tanto isso é verdade que na vez que a Soninha (ela não tinha prática em fazer a poção, mas sabia todos os ingredientes) ficou responsável por prepar o suco de frutas Gummy eles quase foram pegos pelo Duque Duro). É o mesmo problema de mudar uma seqüência de códigos em uma programação. É preciso conter TUDO na seqüência EXATA para não dar erro. Se mudarmos uma linha em uma programação podemos até inutilizar o programa inteiro;
4 - Provavelmente todo o ritual foi desenvolvido para funcionar em cima da porra de dragão, para usar outro componente deveríamos criar um ritual totalmente novo. Note que, por essas regras, devem existir escolas inteiras de magos tentando criar um novo ritual para soltar magias poderosas com componentes mais baratos e fáceis de serem encontrados do que os usados normalmente;
5 - Tente comparar magia com tecnologia real. Porque usar petróleo (que é de difícil extração) para fazer o carro andar, se podemos usar óleo de cozinha (que é bem mais fácil para produzir)? Porque por enquanto é mais barato comprar gasolina no posto. Mas isso não quer dizer que todo mundo compra gasolina no posto, existe muita empresa que está tentando fazer biocombustivel funcionar comercialmente(inclusive já conseguiram). Para isso não bastou apenas jogar óleo de soja no tanque, foi preciso desenvolver uma nova tecnologia, coisa que gastou MUITO tempo, MUITO dinheiro e MUITOS recursos humanos.

mestre disse...

Respondendo as perguntas que o Lu me fez nos comentários do outro tópico:
Acho o sistema do WoD quase bom. Gosto do sistema de dados da ficha, do sistema de experiência e do sistema de atributos. Mas eu tenho nojo da regra básica e não gosto do sistema de HP (PV). Acho muito tosco cada ponto te dar direito a 1 dado. Acho que essa regra não condiz com a realidade. Digamos que a regra básica fode todas as outras qualidades do sistema, afinal no fim todo o sistema está com um gargalo na "ponta de distribuição". Espere minha prova passar (29/09 e 30/09) que daí aprofundaremos mais esse assunto (inclusive vou passar em Londrina dia 01/10, já que minha prova é em SP. Mas já devo sair daí no dia 02/10 ou 03/10)

Anônimo disse...

Poção Gumy, porra de dragão... tudo se relaciona...

E aí você ve o alcance dos tentáculos da implacável esgrima medieval...